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Hoje me senti mal.
Mas não era minha saúde.

NÃO!

Era sim a minha saúde...minha saúde psíquica!

As pessoas encaram a vida cada uma a sua maneira. Algumas conseguem vencer, ir bem longe, e alcançar tudo o que desejaram. Outras, apenas tentam seguir o mesmo caminho, experimentar a mesma fórmula, e não conseguem sair do lugar.
Quando duas alminhas se encontram, e não há regras para viverem juntas, a experiencia pode ser inesquecível.
Mas, mesmo que depois tudo seja somente uma saudade, ainda tem força para travar o coração.
Porque é real quando ele lembra! Sempre será real, enquanto ele acreditar no amor.

Estou falando que sinto ciúmes de um passado que eu, na minha 'resumida' vida, não posso apagar da memória dele. Não tenho este direito! E nem gostaria de ter... Mas se ao menos ele a visse no fundo dos meus olhos quando olha para mim. Se ao menos uma pequena parte de mim, fosse tão vivida e caliente como ela. Eu não sou ela! Não posso ser.
Não tenho este direito!

E nem é correto que eu queira uma amnésia! Ainda agora eu falava da saudade, e do quanto ela é importante. É comum eu mudar de idéia facilmente.
Por quê [e eu me pergunto sempre] por quê também pra ele, não é tão fácil mudar de idéia?

Quero te mostrar que não há verdades absolutas sobre a vida.
Porque não olha nos meus olhos e acredita no que sinto? Somente crê...
Ela gostou de ti, mas tu amastes.
Ela viveu contigo, mas tu vivestes por ela.
E morrestes por ela.

O que afinal ela te deu de verdade?
Ariana dos cabelos vermelhos, que enfeitiçou teu olhar.
E a partir de então, nada mais sentimental tu enxergastes.
Oh garoto!
Olha pra mim... tu ves que te tenho dedicado meu tempo, meus planos, meus sentimentos, minha vida. Para ti não basta?

Dá-me a tua mão, e caminha comigo.
A saudade te corrompe.
Saudade de uma vida que te fora roubada, e somente tu não percebes?
Tu morrestes para ela...

Cuide, para que também não morras para mim.

Saudade já tem nome de...

Mas o que é a saudade afinal? =O
Que sentimento é esse que faz a gente sentir como se faltasse um pedaço de nós a cada lembrança, a cada recordação de fatos, pessoas, animais, e uma infinidade de coisas? Passamos a valorizar ou desvalorizar o passado, aquilo que já vivenciamos, a partir deste sentimento. Não é possível negar para nós mesmos que passamos ali, porque lá está a saudade novamente para nos recordar o que talvez queiramos esquecer. Ela nos recorda tudo, o bem e o mal.

A saudade é o registro emocional de tudo. Aquilo que odiamos e aquilo que amamos, aquilo que nos machucou e aquilo que nos salvou...

Ahhh a saudade é tão reconfortante! Mas também pode ser tão angustiante...

O que podemos fazer para alternar entre um e outro? =D
Minha saudade é sempre angustiante...mas ela não me deixa pra baixo, é como uma angustia que me eleva. Uma angustia boa.
Não me sinto confortável em sentir saudade, mas é bom.
É bom sentir saudades.

Saudade, saudade...
Um universo inteiro em um único sentimento, e na única palavra que existe pra ele.

=D

O preconceito nosso de cada dia

Preconceito nunca. Temos apenas opiniões formadas sobre as coisas. Preconceito é o que o outro tem.

Mas, por falar nisso, já observou que temos o costume de generalizar sobre tudo e todos? Falamos “as mulheres”, a partir de experiências pessoais; conhecemos “os políticos”, após acompanhar a carreira de dois ou três; sabemos tudo sobre “os militares”, porque o síndico do nosso prédio é um sargento aposentado; discorremos sobre homossexuais (bandigaydacu sem vergonha na cara), muçulmanos (revoltados atrasados), sogras (feliz foi Adão, que não tinha sogra nem caminhão), advogados (todos ladrões), professores (pobres coitados), arquitetos (homem de menos pra fazer engenharia e gay demais pra fazer artes), motoristas de ônibus (grossos), peões de obras (ignorantes), dançarinos (viados), enfim, sobre tudo. Mas discorremos de maneira especial sobre raças e nacionalidades e, por extensão, sobre atributos inerentes a pessoas nascidas em determinados Estados.

Afinal, todos sabemos (sabemos?) que os franceses não tomam banho; os mexicanos são preguiçosos; os suíços são pontuais; os italianos, ruidosos; os judeus, sovinas; os árabes, desonestos; os japoneses, trabalhadores, e por aí a fora. Sabemos também que cariocas são folgados; baianos preguiçosos; nordestinos, pobres; gaúchos, gays, etc. Sabemos ainda que o negro não tem o mesmo potencial que o branco, a não ser em algumas atividades bem definidas como esporte, a música, a dança e algumas outras que exigem mais do corpo e menos da inteligência. Quando nos deparamos com uma exceção, admitimos que alguém que possa ser limpo, apesar de francês; trabalhador, apesar de mexicano; discreto, apesar de italiano; honesto, apesar de árabe; desprendido do dinheiro, apesar de judeu; preguiçoso, apesar de japonês, e também por aí a fora.Mas admitimos e em caráter totalmente excepcional.

O mecanismo funciona mais ou menos assim: estabelecemos uma expectativa de comportamento coletivo (nacional, regional, racial), mesmo sem conhecermos, pessoalmente, muitos ou mesmo nenhum do grupo. Sabemos (sabemos?) que os mexicanos são preguiçosos porque eles aparecem dormindo embaixo dos seus enormes chapelões enquanto os diligentes americanos cuidam do gado e matam bandidos nos faroestes. Para comprovar que os italianos são ruidosos achamos o bastante frequentar a pizzaria da esquina. Falamos sobre a inferioridade do negro a partir da observação empírica de sua condição socioeconômica. E achamos que as praias do Rio de Janeiro cheias durante os dias da semana são prova do caráter folgado do cidadão carioca. Não nos detemos em analisar a questão um pouco mais a fundo. Não nos interessa estudar o papel que a escravidão teve na formação histórica de nossos negros. Pouco atentamos para a realidade social do povo mexicano e de como ele aparece estereotipado no cinema hollywoodiano. Nada disso. O importante e reproduzir de forma acrítica e boçal, os preconceitos que nos são passados por piadinhas, por tradição familiar, pela religião, pela necessidade de compensar nossa real inferioridade individual por uma pretensa superioridade coletiva que assumimos ao carimbar “o outro” com a marca de qualquer inferioridade.

Temos pesos, medidas e até um vocabulário diferente para nos referirmos ao “nosso” e ao do “outro”, numa atitude que, mais do que autocondescendência , não passa de preconceito puro. Por exemplo, a NOSSA é religião, a do outro é seita; NÓS temos fervor religioso, eles são fanáticos; NÓS acreditamos na lei de Deus (o nosso sempre em maiúsculas), eles são pagãos diabólicos; NÓS hábitos, eles vícios; NÓS cometemos excessos compreensíveis, eles são um caso perdido; jogamos muito melhor, o adversário tem é sorte; e, finalmente, não temos preconceito, apenas uma opinião formada sobre as coisas.

Ou deveríamos ser como esses intelectuais que para afirmar qualquer coisa acham necessário estudar e observar atentamente? Observar, estudar e agir respeitando as diferenças é o que se espera de cidadãos que acreditam na democracia e, de fato, lutam por um mundo mais justo. De nada adianta praticar nossa indignação moral diante da televisão, protestando contra a limpeza étnica e discriminações pelo mundo afora, se não ficar-mos atentos ao preconceito nosso de cada dia.